segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A vida traz travões incorporados

Eu tive (tenho) um sonho...

A minha profissão de sonho, a minha profissão de vida, aquela que me faz suspirar e pela qual julgo acordaria todos os dias com um sorriso rasgado e a ansiar pela hora de começar, não me é permitida, não lhe chego, não tenho competências para a executar.

Estive apaixonada, estive enamorada. Neste momento sei que amo algo a que não me posso racionalmente arriscar e a frustração instala-se aos poucos tornado o dia a dia assim pró insípido; tal como quando nos perdemos de amores por um artista de um filme e percebemos que ele nunca saberá de nós, mas continuamos a amá-lo desmesuradamente… assim é o meu sonho diário.   

Aos 40 anos somos novos para a vida, mas velhos para desafios de vida. E eu sinto-me triste por não me ser permitido sonhar para além da minha realidade diária. Por não ter capacidade financeira de largar tudo e mudar de rumo, mudar de vida, escalar a muralha do meu sonho sem por em causa a vida das minhas filhas, dos créditos que tenho que pagar.
Sou velha para sonhar, sou velha para me aventurar no sonho de arriscar a que os pratos da balança se equilibrem por si só. Não que a minha profissão actual não tivesse sido a escolhida há muitos anos atrás, que o foi. Mas a idade leva-nos a apreciar outras lides, permite-nos gozar, em sentido literal, as descobertas que vamos fazendo pela vida fora, as novas paixões que se vão tornando nos novos amores das nossas vidas. Apesar da idade ser um posto, traz consigo obrigações das quais não nos podemos desresponsabilizar ou ilibar.

A vida traz travões incorporados. Mas esta noite sonhei sem travões e adorei! Depois acordei e a realidade fez-me sentir frio…



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Trilhos e metas bem definidos na (casa de) partida


- Ai os gays e as putas e as fufas deviam ser todos banidos da face da terra. Era queimá-los vivos! São uma aberração da natureza! Isso é normal por acaso? Não me digas que isso não é contra-natura?

- Pois claro que sim. Dizes bem! Tu que fodes o corpo à tua mulher, que achas que a ajudas imenso, que desprezas e enfardas os teus filhos como se não houvesse amanhã; tu que és uma fonte de ódio, que nunca foste ver os teus pais ao hospital, mas foste chorar para o seu funeral; tu que és um mau colega, um mau amigo, uma má pessoa, tens, de facto, toda a legitimidade para estar aí de dedo em riste. Só te falta ir à missa ao Domingo bater com a mão no peito. Olha, as putas se calhar chegam aliviadinhas a casa e têm paciência para os filhos. São prioridades meu caro; prioridades!

(e depois eu é que tenho mau feitio ao mandar o pessoal comer um cagalhão)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Quando os nossos sofrem, só sossegamos quando os aconchegamos em nós!

É isto! tão isto!
Há amigos e há conhecidos. E eu (nós) temos poucos amigos. Mas aqueles que nos são carne, que nos fazem o coração latejar de cada vez que alguém os magoa, esses podem descansar que estaremos sempre aqui para eles. Senti-los tristes, injustiçados, magoados sem motivo, só porque sim, só porque existem (de facto) pessoas más, isso faz-nos lamentar não lhes podermos valer no imediato. Sim! Porque o sentimento por um amigo verdadeiro é similar à impotência que experienciamos quando um filho se magoa e não lhes podemos valer, só dar um beijinho, afagar a ferida e a alma, na expectativa que a dor se apresse a ir embora.  
Quando o problema serena, queremos tê-los em nós, no nosso colinho. Queremos abraçá-los forte, fazê-los esquecer a dor, tal como fazemos palhaçadas aos nossos filhos para que se esqueçam do dói-dói.  
Tranquilizados ao ânimos, chegamos à fase da puta da farra. O extravasar tudo quanto nos embargou as vozes nos inúmeros telefonemas diários.  Os amigos são a família que escolhemos. Sempre. Esta certeza ninguém ma tira. Eu escolhi muito bem. E serei eternamente grata à vida, ao karma, ao destino (ou qualquer outra merda que lhe queiram chamar) por me ter permitido cruzar no trilho da minha família escolhida e dar (e ter) a oportunidade que uma porta se abrisse e desse lugar a esta amizade tão bonita, tão real e verdadeiramente desinteressada. Somos bafejados pela fortuna de termos uma família coesa, forte e límpida.
Gratos à vida! Sempre!
(escrevi esta lenga-lenga toda de sorriso parvo estampado nos beiços, deve significar que é verdadeiramente sentido, digo eu, que não sou dada a psicologias nem merdas do género)