sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A quente, a ferver e sem correcção (já aviso)

Fazer voluntariado, ser voluntário, não é fofinho, não é vestir uma bata amarela e confortar os doentes, não é ir a um a um lar e fazer  sala aos velhinhos, não é ir a um lar de crianças e fazer festinhas as meninos;  reformulo, (que voltar atrás cansa-me muito...) não é só!
Fazer voluntariado, ser voluntário por uma causa em que se acredita e em que nos envolvemos DE VERDADE, é estar doente e ter assumido um compromisso para ajudar alguém a alombar com sacos e sacos de donativos e Não ligar a avisar que estamos doentes, não ligar a dizer que pela primeira vez em 50 mil anos de trabalho vieste para casa doente, é pensar quessafoda, nem que seja pelos cabelos tenho que ir, não posso deixar que outros o façam sozinhos, não posso! É, no fim de uma semana de trabalho e após te foderem a cabeça com promessas vãs e teres o coração pular de nervos, volveres meio mundo para não falhares com quem te comprometeste, é pedir favores, é aceitar favores, é exigir acessos para quem te ajuda, é subires e desceres lances de 35 escadas vezes sem fim, é ficares com o rego do cu a escorrer de suor, é pensares vou cair para o lado ao mesmo tempo que te dói tanto, mas tanto a barriga ou o estômago ou lá que caralho tens para aqueles lados, é teres que gerir a tua filha que teve que ir contigo porque não arranjaste onde ela ficar, é teres que deixar a criatura comer gomas porque tem fome e tu não trouxeste lanche porque te esqueceste desse pequeno grande filhadaputa de pormenor, é atender o telefone a subir as escadas com sacos pendurados até às orelhas. É emocionares-te com a generosidade alheia, com o altruísmo de quem não te conhece e mesmo assim confiou em ti, na tua palavra, com quem te apoiou no silencio dos seus donativos mas que proporcionou uma puta duma festa estrondosa no teu coração pequenino e que não vale merda nenhuma em comparação com os demais...
Ser voluntário significa trabalhar por vontade própria e sem retribuição em troca, significa trabalhar na sombra tal como os padeiros trabalham de noite para que comamos pão fresco de manhã e os lixeiros que limpam de noite a merda que tantos de nós cagamos durante o dia. É trabalhar, não é pavonear-se à frente dos demais e abanar com a bandeirinha da solidariedade, aquela coisa bonita que cabe em qualquer prateleira mas que não cabe em qualquer coração.
Não tenho bandeiras e estou sempre bem.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Das eleições e da falta de bolas

Ir votar é um direito e um dever que nos assiste enquanto cidadãos livres de um país à beira-mar plantado.
Ir votar implica ter tomates para assumir uma posição relativamente a quem nos governa ou lidera ou outra merda qualquer que lhe queiram chamar.
Ir votar implica assumir uma posição perante a vida que nos permitem ter e perante as expectativas que nos apregoam à boca cheia em tempo de campanha.
Ir votar significa assumir alguma coisa, assumir que sim, que estamos bem ou que não, que pretendemos mudar. Mas significa sempre assumir alguma coisa, e isso não agrada à sociedade, isso não é fino, nem chique, nem agrada a todos, não fosse o efeito manada o mais adequado à sonsice com que a maior parte do povo se identifica e o padrão de vida pelo qual se regem!
Parabenizo os laranjas, os portinhas, os mão-fechadas, os esquerdistas da moda, os comunistas fora de moda e todos os outros com menos expressão, mas parabenizo de forma calorosa, porque sim! porque levantaram o cagueiro do sofá e se deslocaram à escola da sua infância (também é bom ver ojamigos e enfardar umas mines nos tasco do lado), porque se mexeram e não se deixaram ficar sentados à sombra da bananeira à espera que se faça merda para cair em cima de quem governa e de quem lá os pôs (nunca foi ninguém, mas isso é um aparte que agora não interessa nada).
Mais uma vez, a falta de tomates é gritante (tal como com a questão dos refugiados), nada fazem mas do alto da sua bela internet que ainda podem pagar, gritam a plenos pulmões que está tudo mal, que ninguém faz merda nenhuma, que são todos uma cambada de ladrões, que são todos a mesma merda, gatunos dum caralho, mas.... agir que é bom, não é para os reivindicam uma vida melhor alapados no sofá. A esses o meu profundo desprezo, a esses os meus sinceros votos de uma jornada feliz e que os vossos governantes vos fodam bem fodidos pois não mereceis outra coisa, cambada de destomatados sem força para nada e com opinião sobre tudo. Ide comer um valente cagalhão!