quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Dias de merda

- pela fresca, levar um apertão nas guidas, vulgo mamas, até ficar com os cabelos tudinhos em pé
- ter a noticia de que a mama é densa, nova portanto, e que o caralho do tumor continua a parecer benigno
- chegar ao escritório e ter 2 urgências para tratar, daquelas muito urgentes, tão urgentes que perguntei se não deviam ter ido ao Hospital de S. João, dada a urgência do caralho da urgência ser asssssim tão urgente
- para finalizar, a cereja no topo do melão com presunto, que não gosto de bolos, é ter uma puta de uma conta de quase 1.200€ de luz, embrulhadinha num caralho de um envelope assim a rir-se nas minhas fuças, na chegada à casa para almoçar

E ir tudo comer um valente cagalhão? não?

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um camafeu, será?

Um padre que convida a sair todas as crianças ainda antes da celebração começar, é o quê?


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Já dizia o outro que por vezes calados, somos uma orquestra

Não me tem apetecido escrever coisa alguma.
Aliás tem-me apetecido é mandar tudo pro real caralhinho.
Voltarei cá, assim o espero.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Dos cheiros

Invejo (é feio, mas é verdade) as gajas que conseguem andar todo o dia cheirosas que nem uma rosa.
Eu vou a casa à hora do almoço e regresso sempre com um de dois aromas entranhado em mim: comida ou detergente da roupa.

CHINA??

Mas quem caralhos me lê da China?
O lerem-me já é estranho por si só; Agora da China?

(vinha aqui escrever uma coisa sobre cheiros e até me engasguei)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Queres ser minha amiga?



Desde Julho que ando a ressacar. A reemergir de um misto de euforia e profunda tristeza.

Se, por um lado, ajudar nos estimula (e que ninguém diga que não se sente melhor por isso, e para isso o faz; pelos outros, mas também por si, este é o mote para a solidariedade), por outro lado, faz doer muito. O confronto com realidades recônditas, escabrosas, perversas, faz-nos (me) reequacionar tanta coisa, tantas premissas que temos como certas no nosso dia a dia cor-de-rosa. Tantas certezas inabaláveis, tantos caminhos traçados como os únicos possíveis, tanto discurso, arrogante por vezes, suportado por factos rigorosos e… de repente tudo cai por terra, todas estas convicções e certezas se desvanecem qual D. Sebastião (se é que o gajo sequer sabia andar a cavalo).

Verbalizar é a única forma que tenho de ultrapassar obstáculos emocionais com que me vou deparando. Coisas há que me acontecem que não me permitem reagir no imediato. Eu! a cabra explosiva, afinal para algumas vezes e fica qual vaca no pasto, depois de encher o bandulho,  a ruminar. Tempos em silêncio. À espera que a digestão se comece a dar. Deitada à sombra do pinheiro mais escondido, no alto da serra mais desconhecida. Preciso de oxigénio, de pensar, se bem que se trata de um esforço improfícuo. Preciso de ter muito que fazer, de tal ordem que o tempo seja escasso, que o cansaço me impeça de sentir, de equacionar os “e se’s” da minha (nossa) vida(s).

Eu sou uma gaja de ciências. Matemáticas, factos puros e duros, nada de empírico, nem cá de subjectividades, nem pontos de vista nem o caralhinho. É preto, é preto, é branco, é branco; ponto. Dar por mim a meio da ponte, naquele vai e não vai típico dos indecisos, deixa-me furiosa, fodida, vá! Deixa-me tonta, e não gosto de me sentir assim; não estou habituada a não conseguir perceber os meus sentimentos de forma assertiva, clara e racional. 

Equilibrada a balança e postos os prós e os contras em cada um dos seus pratos, dúvidas não existem. Mas apesar do resultado desta equação estar bem em frente aos meus olhos, estão em causa sentimentos de seres doridos e magoados em demasia pela vida, e o meu receio de falhar é maior que a racionalidade deste resultado matemático que se me esbarra nas vistas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O colo de quem nos quer bem

Sou grossa, rude e não preciso de mimo.
.....
Estou doente.
Peço "encosto" ao meu gajo, pois o calor alivia-me as dores nas costas.
Tenho colo, o encosto que preciso.
.....
Já não sou tão grossa, tão rude e o mimo faz-me bem.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Padre da Pa(i)róquia

Eis que tenho que me dirigir ao padre da paróquia desta santa terrinha que me acolhe há cerca de 7 anos. Terrinha esta, onde ainda se usa a fotografia dos marados exposta em cada tasca e mercearia da esquina, só para vos dar um cheirinho da parvalheira em que me vim meter.
Tive o privilégio de o ouvir a debitar alarvidades por aquela bocarra fora em casamentos, batizados e funerais. Em quase todos blasfemei não só em pensamento, mas verbalizando também, se bem que em tom contido, mas verbalizando; cheguei mesmo a retirar-me de uma destas cerimónias nas quais tive o desprazer de o ouvir a desrespeitar todos os presentes.
É uma pessoa execrável, de um mau gosto refinado, de uma maldade e sentido de oportunidade para magoar requintado, possuidor de um dom para fazer sobressair em cada pessoa com que priva, a raiva e a repulsa ao mais alto nível. É um verme, portanto. Julga-se dono da verdade e o melhor servo de Deus. Todos os outros são uma merda, diz ele. Não comungamos, não vamos à missa, não participamos na celebração da fé cristã. Não prestamos.
Disse-me tanta merda que tive que manter o foco nos meus 2 afilhados, de forma a não o mandar para a real puta que o pariu e dizer-lhe que ele é uma bosta daquelas que nem às colheradas pequeninas conseguiria nunca, de forma alguma, deglutir.  
Não ouvi metade do que me disse; não podia; a determinada altura só lhe perguntei: então não pode passar as declarações, pois não Sr. Padre? (traduzindo, senti algo parecido com isto: ó meu grande boi, não vais passar essa merda, pois não? acho que o demonstrei também). Esta pergunta foi o suficiente para que descolasse da cadeira, não parando o sermão, mas descolando da cadeira para escrevinhar qualquer merda em papel timbrado. Nesta altura estava a passar-me e o meu sangue fervia de tal forma que ruborizei e senti um aperto nas veias jugulares a ponto de pensar que iam rasgar. Apetecia-me dar-lhe uma paulada naquela cabeça com tal força, que fizesse com que os neurónios dele descessem à terra e perdessem a mania que são os melhores da galáxia, neste misto de narcisismo e egocentrismo que se apoderaram deste ser-menor.
Passou as declarações, mas em boa verdade vos digo: foram os papeis mais difíceis de obter em toda a minha vida.  Nem quando tive que aceder a que minha sogra fosse ao meu casamento me custou tanto quanto ontem. Cum caralho…
Sobre este chega p’ra lá destes pseudopadres escreverei em tempo oportuno (ou não).

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Esta insónia é das boas

São 2:30h da manhã.
O Ramsey está a remodelar o mesmo hotel pela 3ª vez seguida, mas a minha preguiça em mudar de canal é maior do que o incomodo que sinto em saber o desfecho da história por isso fui buscar o computador.

Vou agendar esta posta de pescada aí para o meio da manhã de amanhã, para quem me possa eventualmente ler não ter como relacionar a minha demência com o facto de eu não dormir.
Estou de rastos, física e emocionalmente.
A par do cansaço e de não conseguir esquecer os incêndios que nos cercam e ameaçam em todas as frentes, tenho em mim uma alegria e um orgulho enorme.
O dia foi violento. Trabalho a mil, com dezenas de merdas pendentes e urgentes, daquelas que aparecem sempre nas vésperas das férias (pelo menos a mim). Precisava mesmo muito de ficar a trabalhar até mais tarde hoje, mas não podia. Tinha águas para entregar, pessoas a quem tinha dito que o ia fazer e com as quais não podia falhar; amigos a postos para carregar e marido em alerta pois apesar de lhe ter dito que desta vez não iria sobrar para ele, sobrou (ele já sabia, já me conhece, e sabe que tento sempre atacar todas as frentes em simultâneo mas como é óbvio não consigo e ele é o meu braço direito e o esquerdo, o meu bombeiro de serviço, sempre). Tinha a compra das águas para gerir com o fornecedor; ir lá falar com o gerente a ver se entregavam; não entregam, estão atolados em serviço e com pessoal de férias; pedir talões individuais; fazer contas às embalagens, pois lá não se vendem aguas à unidade; arranjar carro meu que pudesse ir carregar; arranjar braços meus que pudessem ir carregar; despender da hora do almoço para ir pagar de forma a que, quando o carro estivesse livre, fosse só carregar porque a minha tarde ia ser igual à manhã, uma puta duma confusão com os minutos contados.
Ao fim da tarde, finalmente no carro com o meu mais-que-tudo, uma amiga (daquelas que são família) e os seus 2 filhos (que são os meus meninos), atarantada como sempre, com mil e uma merdas na mona a bater tipo pratos de uma orquestra em pleno concerto, recebo um convite vindo do banco de trás que me deixou absolutamente derretida, emocionada, surpreendida, orgulhosa e tudo mais de bom que se possa imaginar num coração pequenito e cabrãozito como o meu. 
Do alto dos seus 5 anos, o meu menino mais novo diz-me: Máááta!  Máááta! Eu quero que tu sejas minha "madinha"...
Não consigo (d)escrever o que senti.
Primeiro achei que não tinha ouvido bem, que estava confusa como estou sempre.  
Os olhos rasaram-se de água. O coração acelerou.  Apetecia-me gritar. Apetecia-me chorar de alegria. Tive que me segurar muito.
Saber que os adoramos como se fossem nossos e que eles o sentem é o bastante.
Podemos ter mil defeitos, eu tenho mil e um, mas quando os mais puros consideram que o amor que temos por eles é maior que os nossos defeitos, então, estamos no caminho certo. E não vale a pena pensar que o menino é inocente e o caralho, que não sabe o que faz, e que foram os paizinhos que decidiram e ele só "deu o recado" e que coiso e tal. Os meus amigos são tão fodidos da mona como eu (é, os malucos dão-se bem uns com os outros) e deram ao filho a oportunidade de ser ele a escolher os seus padrinhos. Ele pensou sobre o assunto, foi informado da importância dos padrinhos e das suas funções. Acresce que euzinha lhe perguntei: olha lá, mas tu sabes que eu sou maluca, não sabes? sabes que eu digo palavrões e falo alto, não sabes? Tu tens mesmo a certeza?
Respondeu-me que sim a tudo com o sorriso mais meloso e doce que alguma lhe vi (seria o meu olhar diferente provavelmente naquele momento, bem sei).
Por isto tudo hoje não durmo. Hoje, não por insónia; hoje pela sensação de dever cumprido a muitos níveis.
Ah! E entregamos 2.088 garrafas de água em 3 corporações de Bombeiros Voluntários: S. Mamede de Infesta, Nogueira da Maia e Pedrouços. 3 tolos e 2 crianças numa carripana velha que eu tenho medo que se desfaça a cada curva mas que se portou qual mercedes acabadinha de sair do stand.
Agora vou só ali à cozinha enfardar-me de chocolates que hoje mereço.








quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Se 12 malucos conseguiram isto, 24 malucos conseguiriam muito mais

Hoje vou entregar em nome de 12 pessoas 1.728 garrafas de água a corporações de bombeiros voluntários na zona Norte.
À nossa compra, juntaram-se 120 garrafas que a pessoa que estava de serviço no caixa doou. A esta doação juntaram-se outras 120 que uma cliente pagou pois ouviu a conversa (não que eu seja barraqueira, mas a subtileza e tom de voz suave é característica que não me assiste). Por fim, juntaram-se outras 120 que o gerente da loja ofereceu para conseguirmos conta certa de paletes (mentiroso do gajo, a querer oferecer mas a manter a dureza característica de dono; um doce de pessoa, é o que é).
Feitas as contas, entregaremos 2.088 garrafas de água de meio litro.
É isto! junta-se uma dúzia de almas que não se limitam a partilhar fotografias dos "heróis do verão", a agradecer-lhes nas redes sociais o facto deles quase se matarem para nos protegerem e pronto: sai qualquer merdinha de jeito; saem atitudes efetivamente produtivas e que têm, de facto, impacto nas vidas que nos rodeiam.
Se tiver coragem, é desta que aqui partilho uma fotografia, rais'maparta.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Não concordo

Não concordo que se mimem mais os que aparecem esporadicamente, mesmo que seja para nos trazerem algo bom.
Concordo e pratico (à minha maneira, com caralhadas, claro está) o mimo regular e efusivo aos que sempre estão por cá.
Nunca tomemos ninguém por certo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Da família que eu escolhi

"não podes carregar esse peso sempre, e enquanto não "vomitares" não vais conseguir nem perdoar, nem esquecer, nem ignorar"

(Obrigada de coração!  Sempre!)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

As minhas férias acabaram mas ainda não fui férias

A minha sogra esteve internada 5 semanas.
Regressou.
As minhas férias acabaram mas ainda não fui férias.

Eu sei nadar

Tenho tanta fobia ao mar, às ondas, à sua força desmedida, à sua capacidade de nos engolir e de nos  levar para sempre, que mesmo perante vídeos supostamente engraçados, a minha respiração pára; o ar falta-me; os demónios da morte por afogamento assolam-me.
Detesto o mar.
Fujo da praia.
As parias do norte são um terror para mim e desde que fui mãe a coisa piorou, muito.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Sobre os (meus) avós


Infância conturbada pela figura da sogra (da minha mãe), não foi doce nem fácil de digerir.
Deles, ficou apenas isto: "gostava imenso do meu avô paterno. ele fazia desenhos comigo quando chovia e eu não podia ir brincar para o pátio." daqui.



Encosta-te a mim

O facebook diz-me que Agosto é o mês do aniversário de cerca de 40 pessoas a quem estou ligada.
O mês mais preenchido nestes festejos
Outubro tem sido frio, muito frio.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Casa de ferreiro

A empresa onde trabalho instala aparelhos de ar condicionado. Domésticos, industriais, murais, por conduta e tudo e tudo.
Está um calor de morrer, tipo 39 graus
O meu gabinete é xpto e com pé direito muito baixo.
Está um calor de morrer. 39 graus, já disse?
Eu estou a destilar e a gripar da mona
A empresa onde trabalho instala AC.
E está calor. muito calor. 


terça-feira, 19 de julho de 2016

mini me

Tenho uma visão muito minimalista da vida, do amor, da amizade, de quase tudo, confesso.
Não sou de rodeios nem de floreados. Não sou ponderada a bem da opinião alheia, a bem dos sentimentos alheios sim, nada mais para além disso.
Calo-me (e bem) muitas vezes, tendo sempre presente a velha máxima: não tens nenhuma mais valia a acrescentar ao assunto, cala a puta da matraca.
Estes dias questionaram-me o seguinte: mas porque falas assim? Porque escreves assim?
Ora, eu falo assim, e escrevo tal como falo, porque de facto eu sou assim.
Ohhh. É triste, não é? Pois, acredito que sim; acredito que seja uma desilusão. Que fosse espectável eu estar a tentar ser engraçada, rude, elefante, só para ser giro, só porque sim, para ter piada e para ter palco, mas que em privado fosse "morninha*". Ser assim é muito pobre, muito básico, muito intuitivo. Olha a gaja fala assim e é mesmo assim. Fraquinha, tadita.
E para piorar um bocadinho mais o cenário (sim, eu escrevo bocadinho porque digo bocadinho; sei sinónimos e o Google também, mas não sou escritora): eu vivo assim. Eu educo assim.
E só escrevo esta merda que aqui vai, não porque me espante a pergunta ou a indignação, antes sim, porque tenho a certeza de que não sou diferente de (quase) toda a gente que conheço. Não sou a ultima borbulha na garrafa da coca-cola, não sou nem mais nem menos, do que os polidos de profissão. Simplesmente deixo sair o que a eles lhes mói na alma e lhes corroí a dentadura.
Só não tenho vergonha de ser simplória, só não procuro mostrar mais do que o que vai cá dentro, só não floreio o amor e o ódio, esses sentimentos transversais aos fofos e aos broncos, mas que contidos e feitos render, são tão mais aprazíveis.

*Uma "morninha" é uma pessoa que vive em lume brando, que nunca aquece, que nunca arrefece, simplesmente, está.