quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Esta insónia é das boas

São 2:30h da manhã.
O Ramsey está a remodelar o mesmo hotel pela 3ª vez seguida, mas a minha preguiça em mudar de canal é maior do que o incomodo que sinto em saber o desfecho da história por isso fui buscar o computador.

Vou agendar esta posta de pescada aí para o meio da manhã de amanhã, para quem me possa eventualmente ler não ter como relacionar a minha demência com o facto de eu não dormir.
Estou de rastos, física e emocionalmente.
A par do cansaço e de não conseguir esquecer os incêndios que nos cercam e ameaçam em todas as frentes, tenho em mim uma alegria e um orgulho enorme.
O dia foi violento. Trabalho a mil, com dezenas de merdas pendentes e urgentes, daquelas que aparecem sempre nas vésperas das férias (pelo menos a mim). Precisava mesmo muito de ficar a trabalhar até mais tarde hoje, mas não podia. Tinha águas para entregar, pessoas a quem tinha dito que o ia fazer e com as quais não podia falhar; amigos a postos para carregar e marido em alerta pois apesar de lhe ter dito que desta vez não iria sobrar para ele, sobrou (ele já sabia, já me conhece, e sabe que tento sempre atacar todas as frentes em simultâneo mas como é óbvio não consigo e ele é o meu braço direito e o esquerdo, o meu bombeiro de serviço, sempre). Tinha a compra das águas para gerir com o fornecedor; ir lá falar com o gerente a ver se entregavam; não entregam, estão atolados em serviço e com pessoal de férias; pedir talões individuais; fazer contas às embalagens, pois lá não se vendem aguas à unidade; arranjar carro meu que pudesse ir carregar; arranjar braços meus que pudessem ir carregar; despender da hora do almoço para ir pagar de forma a que, quando o carro estivesse livre, fosse só carregar porque a minha tarde ia ser igual à manhã, uma puta duma confusão com os minutos contados.
Ao fim da tarde, finalmente no carro com o meu mais-que-tudo, uma amiga (daquelas que são família) e os seus 2 filhos (que são os meus meninos), atarantada como sempre, com mil e uma merdas na mona a bater tipo pratos de uma orquestra em pleno concerto, recebo um convite vindo do banco de trás que me deixou absolutamente derretida, emocionada, surpreendida, orgulhosa e tudo mais de bom que se possa imaginar num coração pequenito e cabrãozito como o meu. 
Do alto dos seus 5 anos, o meu menino mais novo diz-me: Máááta!  Máááta! Eu quero que tu sejas minha "madinha"...
Não consigo (d)escrever o que senti.
Primeiro achei que não tinha ouvido bem, que estava confusa como estou sempre.  
Os olhos rasaram-se de água. O coração acelerou.  Apetecia-me gritar. Apetecia-me chorar de alegria. Tive que me segurar muito.
Saber que os adoramos como se fossem nossos e que eles o sentem é o bastante.
Podemos ter mil defeitos, eu tenho mil e um, mas quando os mais puros consideram que o amor que temos por eles é maior que os nossos defeitos, então, estamos no caminho certo. E não vale a pena pensar que o menino é inocente e o caralho, que não sabe o que faz, e que foram os paizinhos que decidiram e ele só "deu o recado" e que coiso e tal. Os meus amigos são tão fodidos da mona como eu (é, os malucos dão-se bem uns com os outros) e deram ao filho a oportunidade de ser ele a escolher os seus padrinhos. Ele pensou sobre o assunto, foi informado da importância dos padrinhos e das suas funções. Acresce que euzinha lhe perguntei: olha lá, mas tu sabes que eu sou maluca, não sabes? sabes que eu digo palavrões e falo alto, não sabes? Tu tens mesmo a certeza?
Respondeu-me que sim a tudo com o sorriso mais meloso e doce que alguma lhe vi (seria o meu olhar diferente provavelmente naquele momento, bem sei).
Por isto tudo hoje não durmo. Hoje, não por insónia; hoje pela sensação de dever cumprido a muitos níveis.
Ah! E entregamos 2.088 garrafas de água em 3 corporações de Bombeiros Voluntários: S. Mamede de Infesta, Nogueira da Maia e Pedrouços. 3 tolos e 2 crianças numa carripana velha que eu tenho medo que se desfaça a cada curva mas que se portou qual mercedes acabadinha de sair do stand.
Agora vou só ali à cozinha enfardar-me de chocolates que hoje mereço.








quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Se 12 malucos conseguiram isto, 24 malucos conseguiriam muito mais

Hoje vou entregar em nome de 12 pessoas 1.728 garrafas de água a corporações de bombeiros voluntários na zona Norte.
À nossa compra, juntaram-se 120 garrafas que a pessoa que estava de serviço no caixa doou. A esta doação juntaram-se outras 120 que uma cliente pagou pois ouviu a conversa (não que eu seja barraqueira, mas a subtileza e tom de voz suave é característica que não me assiste). Por fim, juntaram-se outras 120 que o gerente da loja ofereceu para conseguirmos conta certa de paletes (mentiroso do gajo, a querer oferecer mas a manter a dureza característica de dono; um doce de pessoa, é o que é).
Feitas as contas, entregaremos 2.088 garrafas de água de meio litro.
É isto! junta-se uma dúzia de almas que não se limitam a partilhar fotografias dos "heróis do verão", a agradecer-lhes nas redes sociais o facto deles quase se matarem para nos protegerem e pronto: sai qualquer merdinha de jeito; saem atitudes efetivamente produtivas e que têm, de facto, impacto nas vidas que nos rodeiam.
Se tiver coragem, é desta que aqui partilho uma fotografia, rais'maparta.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Não concordo

Não concordo que se mimem mais os que aparecem esporadicamente, mesmo que seja para nos trazerem algo bom.
Concordo e pratico (à minha maneira, com caralhadas, claro está) o mimo regular e efusivo aos que sempre estão por cá.
Nunca tomemos ninguém por certo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Da família que eu escolhi

"não podes carregar esse peso sempre, e enquanto não "vomitares" não vais conseguir nem perdoar, nem esquecer, nem ignorar"

(Obrigada de coração!  Sempre!)