terça-feira, 27 de junho de 2017

Filho és, Mãe (diferente) serás!

Quando te questionas onde foste buscar essa tua necessidade de estar sempre lá quando alguém precisa de ti, uma vez que a tua Mãe, desempregada desde (quase) sempre, do alto do seu egoísmo, diz às tuas filhas que não podem dormir em casa dela porque lhe doem os ossos (as meninas tinham passado lá a tarde e pediram para lá dormir, que no dia seguinte não queriam ficar em casa sozinhas).
Mas onde fui herdar esta forma de ser? onde está o exemplo que me tornou naquilo que sou hoje?
Quando a tua filha mais velha, do alto do inicio da sua adolescência lhe pergunta o que lhe doí mesmo, e ela responde: os ossos; e recebe em troca um, é a ti, não é à cama, pois não?
Quando a tua filha mais velha te diz: a tua mãe não faz por ti o que tu fazes por nós mãe! Eu gostava tanto dela e agora começo a ficar tão desiludida...
As meninas estão de férias, em casa, que não querem férias desportivas, nem praia, nem merda nenhuma que lhes ocupe o tempo livre. As meninas são crianças normais, nenhumas anormalidades. A minha mãe esqueceu-se há muito do que é ser mãe. Eu esforço-me todos os dias para que isso nunca me aconteça. Talvez seja a única coisa pela qual rezo. Talvez seja por se terem esquecido de mim, que me parto em dois, em três, em quatro, em mil caralhos que ma'fodam para que as minhas filhas nunca sintam este desapego, esta distância, este egoísmo. Talvez por isto erre tanto em relação a elas, às exigências que não lhes faço, às palmadas que não lhes dou, aos castigos que finjo esquecer.
talvez eu esteja destinada a dar o que não recebo pois só assim consigo compensar o que tanta falta me faz...
No que elas se tornarão, não posso garantir, mas que dou o meu melhor para que percebam a diferença, ai isso dou.